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Relação aberta aos 23: o que os meus pares dizem mesmo

Mar 26, 2026 • 5 min de leitura
Relação aberta aos 23: o que os meus pares dizem mesmo

Entrevistei seis amigos na faixa dos 22 aos 25 sobre relações abertas. A maior parte do que se diz online sobre o tema não bate com o que ouvi à mesa de café.

Passei as últimas semanas a falar com seis pessoas à volta dos meus 23 anos sobre relações abertas. Quatro em Lisboa, duas no Porto. Quatro tinham tentado, duas estavam curiosas e nunca tentaram.

O que ouvi é mais interessante do que o que se lê em artigo de revista. Aqui vai o resumo sem edulcorar.

O mito número um: "ou és aberto ou és monogâmico"

A conversa real mostra que ninguém na Gen Z pensa assim. A maior parte das pessoas que entrevistei descreveu as suas relações em tons, não em binários.

Rita, 23, Benfica: "Eu e o meu namorado somos monogâmicos, mas acordámos que podemos beijar alguém numa noite fora se a outra pessoa for avisada. Não sei se isso é relação aberta ou não, mas funciona para nós."

A chamada "relação aberta" é um espectro, não uma categoria.

O mito número dois: "funciona para todos"

Três dos quatro que tinham tentado disseram que terminou mal. Um disse que mudou completamente a forma como ele entende relações, mas não continuaria neste formato.

Miguel, 24, Porto Foz Velha: "Tentámos durante quatro meses. No papel parecia maduro, na prática eu ficava acordado a ver o Google Maps dela a mexer em localizações que eu não reconhecia. Tu achas que és evoluído e depois descobres que és um ciumento vulgar."

O mito número três: "é só sobre sexo"

Nenhum dos seis descreveu a motivação como "queria ter sexo com mais gente". A maior parte falou em curiosidade, medo de perder coisas, desejo de não se comprometerem a 100 porcento antes dos 30.

Inês, 25, Alvalade: "Não era pelo sexo com terceiros. Era por eu não querer fechar opções enquanto ainda não sabia quem ia ser aos 30. Percebes?"

As três versões mais comuns em 2026

As razões genuínas que ouvi

  1. "Não queria fechar tudo aos 22 e descobrir arrependimentos aos 30."
  2. "Achei que se o amor fosse real, a gente aguentava o formato."
  3. "Estávamos os dois a sair de monogâmicas que correram mal."
  4. "Queríamos fazer diferente do que os nossos pais."
  5. "Estava genuinamente curiosa e ele também."

Nenhum dos motivos é errado. Mas nenhum, por si só, garante sucesso.

As armadilhas que todos mencionaram

As condições em que funcionou, nos raros casos

O único dos seis que continua em relação aberta com sucesso (três anos) resumiu assim:

"A gente tinha dois anos de monogâmia antes, com confiança real. A ideia veio dos dois, simultaneamente, não por sugestão de um. Temos regras muito explícitas, reavaliadas a cada seis meses. E não escondemos nada, mesmo quando é desconfortável. Não funciona se omitires."

A conclusão dela: "é mais trabalho, não menos. Quem faz isto para 'ter menos compromisso', vai falhar."

As conversas obrigatórias antes

  1. O que é sexo para nós? Beijo conta? Chat picante conta?
  2. Queremos saber quando acontece? Queremos detalhes ou só a confirmação?
  3. Há pessoas off-limits? Amigos do grupo comum? Ex? Colegas?
  4. Sexo sempre com proteção, sempre, sem negociação?
  5. Se um de nós se apaixona por terceiro, o que fazemos?
  6. A cada quanto tempo reavaliamos esta estrutura?

Se qualquer destas perguntas gera pânico, ainda não é a altura.

O sinal mais claro de que não vai funcionar

Se um dos dois aceita "porque o outro quer", está condenado. Dos quatro que tentaram, três disseram que um dos dois tinha aceitado em desejo menor e isso destruiu tudo.

Pressão ligada a relação aberta é red flag enorme. Se sentes que tens de aceitar para a pessoa ficar contigo, vai embora — nem a relação aberta nem a monogâmica com ela vão correr bem.

O paradoxo dos 23

Aos 23 temos energia, curiosidade, menos baggage do que aos 30. Mas também temos menos ferramentas emocionais para gerir complexidade. É tentador experimentar e perigoso por isso mesmo.

Não há resposta correta. Há consciência. Se vais tentar, vai de olhos abertos e com um plano de saída sem drama se correr mal.

Experimenta só uma conversa

Se estás numa relação e o tema vos passou pela cabeça, marca uma noite de sexta, com vinho em casa, sem distrações. Pergunta apenas: "se fôssemos honestos, o que te atrairia na ideia, e o que te assustaria?" Sem decisões. Só a conversa. Ouvir é metade do trabalho.

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